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O Progressista Fulton Sheen - I

A má doutrina e a moral de Fulton Sheen

Salwa Bachar
Na semana passada, em 24 de setembro de 2026, a missa de beatificação do Bispo Fulton Sheen, presidida pelo Cardeal Tagle, aconteceu em uma das capitais culturais do coração dos Estados Unidos, St. Louis, Missouri.

Fulton Sheen beatification Mass

24 de setembro, missa de beatificação de Fulton Sheen

Preparando-se para a beatificação de Sheen, grupos conservadores do Novus Ordo estão se apressando em demonstrar suas conexões com ele. O Cardeal Burke, símbolo da ala "conservadora" do Progressismo, declarou em uma entrevista recente: “Estou tão feliz, finalmente, ele será beatificado.”

Até mesmo aqueles que se autodenominam tradicionalistas estão tentando encobrir a figura de Fulton Sheen: Michael Matt insiste que ele era um "bom bispo" bem-intencionado que simplesmente não viveu para ver a Revolução. Mel Gibson, um sedevacantista que, em teoria, se opõe ao Progressismo, elogiou Sheen e até aconselhou os católicos a pedirem sua intercessão.

Então, o que os católicos contrarrevolucionários devem pensar sobre Sheen? Quem ele realmente era? Por que ele está sendo elogiado e apresentado como um modelo ideal pelos progressistas, e até mesmo por alguns conservadores e tradicionalistas?

A TIA tem respondido consistentemente a essas e outras perguntas sobre Sheen há 16 anos – desde 2010 – em 12 artigos diferentes. Permitam-me resumir estes artigos, relembrando aos leitores as doutrinas e a moral questionáveis de Fulton Sheen, que demonstram claramente que ele não era o bispo “conservador” que a Igreja Conciliar o descreve, mas sim um lobo em pele de cordeiro, um progressista radical.

Um camaleão

Uma primeira pergunta que deve ser respondida: por que Fulton Sheen era tão popular? Assim como os documentos conciliares, ele era hábil na ambiguidade: conseguia fazer com que declarações e doutrinas progressistas radicais soassem conservadoras. Como o Papa Leão XIV, sua missão era de síntese: unir tradicionalistas e progressistas na via media (o caminho moderado). É por isso que ele era popular: porque sabia como agradar a todos, inclusive aos inimigos da Igreja.

Sheen e o Vaticano II

CArdinal Tagle

Card. Tagle fazendo o sinal suspeito de ‘Eu te amo’

Sheen era um defensor do Vaticano II, do seu progressismo latente e das suas reformas nocivas. Em sua autobiografia, Tesouro em Barro, Sheen chamou a Gaudium et Spes “de “uma obra-prima inspirada pelo Espírito Santo” e afirmou que sua participação no Vaticano II foi “uma das grandes bênçãos que o Senhor concedeu à minha vida” (p. 281). O jornal diocesano de Rochester, o Catholic Courier Journal (CCJ), relatava seus objetivos de tornar Rochester “uma diocese modelo, moldada e movida pelo espírito do Concílio Vaticano II.” Ele chegou a chamar qualquer resistência ao Vaticano II de “demoníaca.”

É difícil entender como alguém poderia considerar Sheen um bom Bispo, visto que ele elogiou o único evento marcante que institucionalizou o progressismo na Igreja e que tem sido a causa da destruição de suas instituições, doutrinas, liturgia e moral.

Promover a coeducação e desmantelar a hierarquia

Falando em destruição de instituições, o próprio Sheen não desconhecia as reformas progressistas, sendo apenas um espectador inocente, como alguns tradicionalistas sugerem. Ele foi um pioneiro nas reformas progressistas em Rochester, Nova York, promovendo mudanças drásticas no nível institucional para as quais muitos de seus paroquianos não estavam preparados. Ele considerava Rochester seu campo de experimentação para as iniciativas progressistas mais radicais, todas inspiradas pelo Concílio Vaticano II.

Um exemplo disso foi a defesa da coeducação por Sheen. O CCJ noticiou a surpreendente iniciativa de Sheen de transformar a St. Andrew's Preparatory School de Rochester, um colégio só para meninos voltado para a formação de futuros padres, na escola mista "King's Preparatory," para que "líderes cristãos" (novamente, a ambiguidade da palavra "cristãos") pudessem ser formados "superando a monotonia do convencionalismo.” Assim, o costume tradicional e sábio da Igreja de criar escolas só para meninos ou só para meninas – bem como suas condenações anteriores à coeducação – foi pejorativamente chamado por Sheen de “monotonia do convencionalismo.”

Outras inovações institucionais de Sheen inspiradas pelo Vaticano II relatadas pela TIA, incluem:
  • Ele introduziu um programa de extensão social para seminaristas que eliminou o costume anterior de mantê-los confinados em um recinto fechado;

  • Ele anunciou a criação de um dos primeiros Conselhos de Sacerdotes;

  • Sua diocese foi uma das primeiras a elevar a idade da Crisma de 10-11 anos para a “adolescência tardia”;

  • Ele também tentou criar um seminário ecumênico, fato que explicarei mais adiante neste artigo.
Autogestão e copropriedade

Alguns apontaram que Sheen se manifestou contra o comunismo. Novamente, este tópico não é exceção à ambiguidade de Sheen: embora se manifestasse contra o comunismo, ao mesmo tempo defendia a autogestão e a copropriedade, que são os objetivos finais declarados do comunismo e foram condenados pelo Papa Pio XII. De fato, Sheen afirmou:

Bernard Shaw

As ideias de Sheen sobre copropriedade eram mais radicais do que as do socialista Bernard Shaw

“Deveria haver alguma forma de copropriedade na qual o trabalhador recebesse uma parte dos lucros que ajudou a produzir. Certamente, quem doou dinheiro e quem distribuiu cupons tem direito à sua parte, mas o trabalhador também tem direito a uma parcela dessa riqueza. Não precisa ser apenas em forma de ações. Em todo caso, alguma forma de cogestão, alguma forma de copropriedade, na qual o vínculo entre ele e a indústria onde trabalha se aprofunde … Nenhuma classe tem o direito de ficar com todos os lucros!"

É por isso que Fulton Sheen era um dos favoritos entre os distributistas, que, aliás promovem objetivos mais radicais (meios de produção iguais) do que o socialismo tradicional (frutos da produção iguais), segundo o Pe. distributista Patrick Cahill e o conhecido socialista inglês George Bernard Shaw.

Além de defender a autogestão e a copropriedade, Sheen deu um papel de liderança a um padre que era um associado próximo de Saul Alinsky, o famoso agitador comunista. Este padre, com a bênção de Sheen, promoveu a luta de classes raciais com o movimento FIGHT em Rochester como uma falsa solução para um problema real. A TIA destacou: “Em vez de condenar o agitador social abertamente comunista Saul Alinsky, ele prestou uma homenagem indireta a ele e ao seu trabalho.”

Assim, embora Sheen tenha atacado o comunismo com palavras, ele promoveu, direta ou indiretamente, os princípios comunistas e seus proponentes mais radicais.

Ecumenismo

Talvez o pior aspecto de Sheen tenha sido seu compromisso em ceder a falsas religiões, particularmente o protestantismo e o judaísmo.

Um exemplo disso foi o Seminário de São Bernardo. O CCJ relatou sua iniciativa de transformar aquele seminário para padres em um seminário ecumênico, com aulas ministradas por católicos e protestantes (batistas e episcopais), e com seminaristas católicos aprendendo ao lado de colegas protestantes. Nas palavras de Sheen:

“Como outros seminários religiosos reconheceram a dupla missão de servir e precisar de um Salvador, chegou a hora de nos unirmos a eles naquilo em que podemos nos ajudar mutuamente e salvar o mundo.”

St. Bernard Seminary Rochester

Sheen tentou fazer do Seminário de São Bernardo em Rochester um local de ensino para protestantes e católicos

Aquele seminário ecumênico nunca se concretizou, apesar de seus planos meticulosos, porque não foi bem recebido pelos católicos de sua diocese.

Este não foi o único exemplo de Sheen cedendo aos protestantes. Durante seu período em Rochester, em 13 de setembro de 1968, ele convidou um pastor protestante para discursar no púlpito da Catedral do Sagrado Coração em todas as seis missas dominicais. Apenas quatro meses depois, em janeiro de 1969, o próprio Bispo Sheen discursou no 'culto' ecumênico dominical na Terceira Igreja Presbiteriana, diante de uma plateia de mil pessoas.

A TIA relatou outras "primeiras vezes" ecumênicas realizadas por ele nesses dois primeiros anos em sua diocese de Rochester: Sheen discursou em um culto noturno da Quaresma na Primeira Igreja Metodista de Asbury, falou em uma reunião do Sínodo Luterano na Igreja Luterana da Reforma e proferiu uma palestra na Igreja Presbiteriana de Bethany em uma tarde de domingo. Ele também deu a bênção final em um culto ecumênico na catedral da Igreja Episcopal de Cristo.

Outro exemplo do ecumenismo de Sheen foi sua visita à sinagoga: no final de janeiro de 1967, ele visitou a sinagoga judaica de Rochester, o Templo B'rth Kodesh, e fez um discurso. Ele chegou a usar o quipá judaico.

A TIA noticiou que o Bispo Sheen entrou na sinagoga “pela primeira vez na vida,” como relata o jornal (CCJ), “para elogiar o povo judeu por suas obras de misericórdia para com os pobres” e para assegurar-lhes que “o Deus de Abraão, Isaque e Jacó também era o Deus dos cristãos,” que está disposto a ser um Pai para todos os homens, “por mais fracos que sejam.”

Ou seja, Sheen desconsiderou flagrantemente o Primeiro Mandamento ao sugerir que os judeus adoram o mesmo Deus que os católicos, contrariando os ensinamentos da Igreja.

Orgulhoso de não tentar converter os outros

Sheen era bastante conhecido na TV e no rádio. Seria natural pensar que ele usaria sua ampla influência para converter aqueles que seguem falsas religiões, certo?

Errado novamente. Como apontou o Sr. Patrick Odou, da TIA:

“A heresia da salvação universal também estava latente em sua mente, quando ele afirmou: 'O bom hindu, o bom budista, o bom confucionista, o bom muçulmano são todos salvos por Cristo e não pelo budismo, islamismo ou confucionismo, mas por meio de seus sacramentos, suas orações, seu ascetismo, sua moralidade, sua boa vida.’ (Tesouro no Barro, p.148)

“Ele estava tão convencido de que todos poderiam ser salvos em sua própria religião que nunca usou seus programas para converter pessoas. Mesmo tendo passado centenas de horas na televisão, este Príncipe da Igreja, cuja missão deveria ser trazer almas a Nosso Senhor e para o Seu rebanho, declarou sem remorso que em seu programa de televisão 'nunca houve uma tentativa do que poderia ser chamado de proselitismo.’” (Ibid. p. 73)


A atitude de Sheen em relação aos que seguem religiões falsas contradiz completamente o caráter missionário da Igreja e seu chamado para fazer “discípulos de todas as nações,” mandamento de Nosso Senhor escrito nos Atos dos Apóstolos.

Má doutrina

Teilhard de Chardin

Para Sheen Teilhard de Chardin, ele era um santo...

Pode ser surpreendente para alguns que Sheen tenha elogiado Teilhard de Chardin, o progressista cujos escritos eram repletos de panteísmo e foram condenados pelo Santo Ofício.

As palavras elogiosas de Sheen para Chardin em seu livro, Footprints in a Darkened Forest, foram as seguintes:

“É muito provável que, dentro de 50 anos, quando todas as disputas triviais e prolixas sobre o significado do vocabulário 'infeliz' de Teilhard tiverem desaparecido ou assumido um lugar secundário, Teilhard aparecerá como João da Cruz e Santa Teresa de Ávila, como o gênio espiritual do século XX.”

Maus Costumes

Sheen era imaculado em termos morais? A resposta é não, novamente. Suas opiniões sobre sexualidade e casamento ajudaram a pavimentar o caminho para a infame Teologia do Corpo do Papa João Paulo II. Seu livro, Três para Casar, introduz o tema do casamento detendo-se obsessivamente no “sexo,” divagando poeticamente sobre Freud (p. 3) e a “libido” (p. 14), as “energias vitais” (p. 11) e o tema “objeto-sujeito” (p. 11) tão prevalente na Teologia do Corpo.

Conclusão: não é um santo

Em resumo, Fulton Sheen não é um santo, nem um modelo para os católicos – ele era um progressista. Elogiou o Concílio Vaticano II e buscou ardentemente implementar suas reformas, desmantelou instituições de longa data, incentivou costumes liberais que levariam à imoralidade no clero, promoveu o igualitarismo, a autogestão comunista e a copropriedade, causou escândalo público ao elogiar e participar de cultos de falsas religiões, vangloriou-se de não “fazer proselitismo”, promoveu o panteísmo de Teilhard de Chardin e incentivou a má moral e a obsessão freudiana pelo sexo.


Continua

Postado em 28 de outubro de 2026
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