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NOTÍCIAS: 19 de agosto de 2026 (publicada em inglês a 29 de julho de 2026)
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Panorama de Notícias
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Atila Sinke Guimarães
MAGNIFICA HUMANITAS, PRÓS E CONTRAS - II – Outro ponto positivo da Magnifica humanitas – MH – é o bom resumo que oferece das encíclicas sociais desde Leão XIII até os nossos dias, feito no Capítulo I (§§ 29-44).

Desigualdades e propriedade privada: pomos da discórdia

Nele, vemos que, até João XXIII, os Papas anteriores, ao considerarem os problemas da sociedade, propuseram soluções baseadas no bem comum tanto dos empregadores quanto dos empregados. Eles apoiaram as desigualdades, bem como o direito à propriedade privada, por estarem em conformidade com a Lei Natural e o Decálogo (o IV Mandamento garantindo as desigualdades; o VII e o IX, respaldando a propriedade privada).

Apple of discord

Os pomos da discórdia são os conceitos de desigualdade e propriedade privada

Os Papas recomendaram que os empregadores pagassem um salário justo aos seus trabalhadores para que eles e suas famílias pudessem viver com dignidade, visto que cada homem é feito à imagem e semelhança de Deus. Aconselharam também moderação na busca pelo lucro, pois a ânsia de ganhar mais dinheiro muitas vezes alimenta a ganância e pode criar fortunas desproporcionais. Aos empregados, recomendaram obediência e conformidade, seguindo o exemplo dos santos, e os alertaram contra as tentações da revolta e da luta de classes.

Em suma, os Papas abençoaram a desigualdade social e a propriedade privada, e sugeriram soluções baseadas na virtude e na manutenção do equilíbrio na sociedade. É importante ressaltar que não abandonaram sua própria esfera espiritual: respeitaram a autonomia da esfera temporal e só sugeriram soluções ratione peccati: ou seja, quando havia risco de pecado.

O canto da nova sereia

Com João XXIII, porém, ocorreu uma mudança de parâmetros nos ensinamentos sociais papais: os Papas começaram a atacar as desigualdades e a sabotar o direito à propriedade sob o pretexto de que este só seria legítimo quando subordinado à sua “destinação universal.” Ou seja, adotaram um tratamento muito mais próximo do socialismo.

Além disso, o salário que a princípio foi recomendado como justo, seguindo um conselho sábio, tornou-se uma exigência de direitos humanos e justiça com base na Carta dos Direitos Humanos da ONU. A distribuição de fortunas e propriedades tornou-se um imperativo de “justiça social” na agenda da Igreja. O trabalhador agora tem “o direito” a uma parte da propriedade do dono, ecoando a teoria da plus valia de Marx.

O capitalismo, antes aprovado como estando de acordo com a Lei Natural, agora é rotulado como “estruturas do pecado” (cf. MH §§ 36, 79). Consequentemente, uma Teologia da Libertação foi oficializada em Medellín (1968) e Puebla (1979) como a nova voz “profética” da Igreja em sua “opção preferencial pelos pobres.”

Embora o ramo mais comunista da Teologia da Libertação tenha sido enfraquecido e podado, a árvore inteira continuou a prosperar forte e saudável, e encontrou o caminho para eleger o Papa Francisco, seu notório partidário.

Soviet Constitution

O preâmbulo da Constituição Soviética afirmava que o "objetivo supremo" do comunismo era a autogestão; clique aqui para ler

Distributismo, autogestão, capitalismo inclusivo ou a “Economia de Francisco” são os nomes sucessivos que traduzem o mesmo sistema socioeconômico defendido pelos Papas conciliares. Este sistema coincide com o passo seguinte ao comunismo e representa o ideal da Revolução, também conhecido como tribalismo.

Observo que esta linha de ação representa uma invasão da esfera espiritual na esfera temporal, abusando da competência da Igreja, tal como sempre foi concebida durante quase dois milênios do Magistério Católico.

Ofereço esta comparação entre os dois pensamentos doutrinários papais conflitantes sobre a Doutrina Social para levar o leitor ao topo da montanha e proporcionar-lhe uma visão panorâmica das mudanças ocorridas nos últimos 60 anos.

MH pretende que, depois de João XXIII, a Doutrina Social da Igreja seja a mesma de antes. Não é. Trata-se de uma leitura do ensinamento anterior através de lentes socialistas ou comunistas. Reproduzirei alguns trechos da encíclica papal de Leão XIV, onde ele avalia os problemas da sociedade com base nos novos parâmetros progressistas referentes às desigualdades e à propriedade privada.

Contra as desigualdades
  • A originalidade da sua contribuição [de Bento XVI] reside em mostrar que o desenvolvimento, a justiça, as instituições e o mercado não são realidades neutras, mas espaços onde a caridade deve, de fato, encontrar expressão histórica. Este ensinamento é especialmente relevante hoje em dia, tendo em conta as crescentes desigualdades, as pressões nos mercados financeiros, a crise ambiental e a falta de confiança na política.” (§41)

  • “A ideia de ‘justiça social’ ajuda-nos a reconhecer que as injustiças não surgem apenas das escolhas erradas dos indivíduos, mas também de estruturas, mecanismos e sistemas econômicos e culturais que produzem desigualdade quase automaticamente.” (§79)

  • As inovações tecnológicas, incluindo a inteligência artificial, não são neutras, pois podem tanto promover a participação e a justiça quanto exacerbar a desigualdade, o controle e a exclusão.” (§85)

  • Viver a justiça na Igreja significa purificar as relações e estruturas eclesiais das distorções que dão origem à desigualdade, à falta de transparência e ao abuso de poder.” (§ 89; cf. §§ 95, 144, 151, 161, 226, 240)
Feudal Hierarchy

Ao combater as desigualdades, a Igreja Conciliar mina a hierarquia da cristandade,
que ainda se faz presente em diversos aspectos da civilização ocidental


Contra a propriedade privada
  • “Certamente, existe um direito à propriedade privada, que tem seu próprio significado e finalidade específicos, mas está sempre subordinado à destinação universal dos bens. Segundo João Paulo II, essa subordinação é a regra de ouro da conduta social e o “primeiro princípio de toda a ordem ética e social.” Na tradição da Igreja, a propriedade tem sido vista como um meio de proteger e administrar os bens para que sirvam melhor ao bem comum. Visto que “a tradição cristã nunca reconheceu o direito à propriedade privada como absoluto ou inviolável,” sua função social não deve ser considerada uma mera opinião teológica, mas uma doutrina da Igreja, já presente na Sagrada Escritura e nos escritos dos Padres da Igreja. Por isso, o Papa Francisco nos lembrou que a solidariedade, quando vivida em seu sentido mais pleno, significa também “restituir aos pobres o que lhes pertence.” (§66)

  • Leo XIV wearing Nike shoes

    O Papa, aparentemente simples, está implementando a agenda mais ousada de Francisco

  • “Além disso, a propriedade dos dados não pode ser deixada exclusivamente em mãos privadas, mas deve ser devidamente regulamentada. Os dados são produto de muitos contribuidores e não devem ser tratados como algo a ser vendido ou confiado a poucos escolhidos. É necessário pensar de forma criativa para gerir os dados como um bem comum ou partilhado, num espírito de participação, como já sugeriu São João Paulo II relativamente aos bens coletivos.” (§108)
A favor do destino universal da propriedade
  • “Não podemos tolerar entusiasmos ingênuos, nem alimentar temores infundados. Em vez disso, estabeleçamos padrões de discernimento — a dignidade da pessoa humana, a destinação universal dos bens, a opção preferencial pelos pobres, o cuidado com a nossa casa comum e a paz – e traduzamos esses padrões em práticas como o planejamento responsável, a avaliação do impacto humano e social, a inclusão dos mais vulneráveis, a promoção da alfabetização digital e a orientação da pesquisa e da indústria rumo à justiça e à paz.” (§14, cf. §§ 43, 45, 46, 183)
Apoio à Teologia da Libertação
  • “Nesta perspectiva, a justiça não se resume à distribuição mais equitativa dos recursos ou à correção das injustiças atuais, mas assume também uma dimensão restauradora. Visa reparar os laços rompidos e reintegrar os excluídos, tendo em conta as feridas causadas por injustiças como as guerras, o colonialismo, a discriminação racial ou de género, a violência contra povos inteiros e a exploração.” (§79)
Convido o leitor a refletir sobre estes excertos do “conservador” Leão XIV na sua Encíclica Magnifica humanitas e a perceber que, sob a aparência de um professor do ensino secundário sem pretensões, se esconde um Francisco II.

Ainda tenho vários outros pontos sobre Magnifica humanitas que espero tratar em breve.

Continua

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